Foto: Tuerê



NOTAS SOBRE:


"A maior necessidade do mundo é a de homens; homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus" - Ellen G. White.



quarta-feira, 29 de julho de 2009

ÍNDIOS SE RENDEM AOS APELOS DA MODERNIDADE


Aquela figura rústica, do índio que Cabral encontrou no Brasil, lá pelos idos de 1500, é uma realidade bem distante na aldeia Mãe Maria, dos índios gavião kyikatêjê e parkatêjê. Quem vai ao lugar pensando encontrar casas de sapé e nativos em vestimenta de pena, com arco, flecha e aljava a tiracolo, volta decepcionado. Surpreendentemente, os índios se rederam aos apelos da modernidade.
As ocas deram lugar a casas de alvenaria, com piso em lajota, cobertas com telha de barro, rebocadas e pintadas. O luar perdeu significado na vida dos mais velhos, já que à noite as conversas são jogadas fora na porta de casa sob o clarão de lâmpadas elétricas. A pescaria da boca da noite foi substituída por outro programa, de branco – ver novela na televisão.
Invariavelmente, cada residência encontra-se munida de uma antena parabólica, além de outras invenções destes tempos modernos: fogão a gás, geladeira, aparelho de DVD e celular.
Os rapazes usam tênis, jeans e cortes modernos no cabelo. Também trocaram os adornos feitos de sementes e pedaços de osso por jóias em ouro 18 quilates.
Na entrada da aldeia, um parquinho daqueles que se vê nas praças das cidades grandes, com escorregador, balanço e gangorra, denuncia o peso da cultura dos brancos na vida dos kyikatêjê.
Mais adiante, tratores estacionados em uma paragem asseguram ao visitante que agora a lavoura também segue novos padrões entre os índios.
Até nos nomes os Gavião estão sofrendo a influência dos brancos. O atleta mais famoso da comunidade parkatêjê tem nome de cientista. Chama-se Einstein Sompré Sena, um jovem maratonista que adquiriu musculatura para o atletismo participando de corrida com toras, um esporte genuinamente indígena. Einstein prepara-se para ser um representante dos parkatêjê nas Olimpíadas de Londres, em 2012.Comentando esse fenômeno de aculturação, Gersem Baniwa, coordenador geral do programa de educação indígena do MEC, presente na I Conferência Regional de Educação Escolar Indígena, realizada na aldeia Mãe Maria, considera que o envolvimento do índio com os meios tecnológicos é algo positivo. Baniwa, que é de uma tribo do Amazonas, refuta a ideia de aculturação. Para ele, o índio não perde suas raízes culturais ao se render aos apelos da modernidade. “Os povos indígenas têm o direito de aprender e adquirir tudo aquilo que de bom os brancos têm – tecnologia, ciência, conhecimento, tudo isso que facilita melhor a vida – sem necessidade de eles abdicarem de suas culturas, suas tradições”, pondera. “E esse povo aqui [os índios kyikatêjê] é um modelo disso. Eles usam tudo de mais moderno, mas ao mesmo tempo mantêm forte a cultura deles. Ou seja, com todo esse avanço tecnológico, estando inseridos no mundo moderno, eles continuam falando a língua, praticando a cultura, as tradições, demonstrando que é possível, sim, essa convivência multicultural, intercultural, de povos diferentes, com cultura e tradições diferentes, numa mesma sociedade”, concluiu.

4 comentários:

Unknown disse...

so pra vc saber o Einstein não é da aldeia Parkatêjê e sim da Kyikatêjê... e nos nao estamos perdendo a nossa cultura poque ultilizamos tecnologia algo que se aplica muito bem é essa frase:"Eu posso ser você,sem deixar de ser quem eu sou" dita por um irmão(idjarrury Karajá)...os Kupên(brancos)também aderiram á algumas coisas da cultura indigena e nem por isso deixam de ser kupên..

Unknown disse...

Caro Laercio
Bom que vc pensa sobre a tematica Indígena, mas queria só comentar o inicio de seu texto quando afirmas Quem vai ao lugar pensando encontrar casas de sapé e nativos em vestimenta de pena, com arco, flecha e aljava a tiracolo, volta decepcionado. Surpreendentemente, os índios se rederam aos apelos da modernidade.
Veja bem, a culpa não é dos indios que as pessoas ainda estejam completamente permeados pelos equivocos trazidos pelos livros didáticos. Vc esqueceu de fazer a pergunta fundamental: o que é ser índio? O uso de parabólica determina o ser índio?

movimento indigena no estado do Pará disse...

pow me adimiro de você que, vai numa comunidade linda dessas que eu conheço muito bem! e faz esses comentários preconceituosos!

Laércio Ribeiro disse...

Ao autor do comentário de 27 de novembro de 2011 (movimento indigena no estado do Pará):

Honestamente, não sei em que parte do texto sobre os índios gavião o comentarista encontrou indício de preconceito.

Ora, qualquer um que ler - sem preconceito - a matéria, publicada no jornal Opinião em julho de 2009 e reproduzida aqui no blog, vai perceber que ela fala de aculturação, na mais simplista definição, "fenômeno de interação social que resulta do contato entre duas culturas" (Nathan Watchel).

Em nenhum momento, se o comentarista for mais cuidadoso na leitura, vai perceber o autor do texto emitindo juízo de valor sobre o tema. Ao contrário, a reportagem dedica mais de um terço de seu conteúdo para apresentar a opnião do representante indígena Gersem Baniwa, que aborda a aculturação como um fenômeno positivo. Dos 2.957 caracteres da matéria, 1.160 são destinados aos comentários dele.

Talvez o equívoco resida no pensar que aculturação significa, sempre, sobreposição de uma cultura a outra. Há muito tempo este conceito deixou de ser dominante entre os antropólogos mais conceituados.

Lamento, portanto, que não tenha interpretado bem o teor da reportagem.

De qualquer forma, agradeço o seu comentário e espero que minhas considerações tenham sido úteis para fazê-lo compreender o texto sob uma ótica diferente.

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