Foto: Tuerê



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NOTAS SOBRE:


"A maior necessidade do mundo é a de homens; homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus" - Ellen G. White.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

DÓ, RÉ, MI, Psol, LÁ SI

Há música enchendo os ouvidos dos psolistas desta região neste final de semana. O Senador José Nery (PSOL) está em Marabá desde ontem (28/08). Ele veio dar apoio à candidatura de Tibirica e outros candidatos do partido, no Sul do Pará. Neste sábado (30) ele segue para Parauapebas. De lá vai a Canaã, Xinguara e Redenção. O retorno a Brasília está previsto para terça-feira (02/09).

A TABOCA VAI RACHAR

Candidatos a prefeito de Marabá deverão ficar cara a cara na próxima semana. Todos eles estão sendo convidados a participar do primeiro debate destas eleições. O evento será promovido pelo Conselho Municipal de Assistência Social e vai acontecer na próxima quarta-feira (3), às 9h da manhã, no auditório da Seasp. Os candidatos João Salame Neto (PPS) e Tibirica (PSOL) já confirmaram presença.

TIRITANDO

Fala-se à boca miúda em massacre durante o debate da próxima quarta-feira. Por um lado, tem candidato com o rabo preso tremendo nas bases, com medo que suas falcatruas caiam nos ouvidos do povo. De outro, a tremura é por conta da oratória. É que tem candidato que não leva muito jeito na hora de emendar as palavras e formar o discurso.

QUEM VIVER VERÁ

Os organizadores do debate enviaram convite aos principais veículos de comunicação, sendo que alguns deles já confirmaram ampla cobertura ao evento. No entanto, não há informação se o encontro terá transmissão ao vivo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A FACE DO HORROR

Foto publicada na capa do Jornal CORREIO DO TOCANTINS desta quinta-feira (28/08) não apenas choca, dilacera até a alma daqueles menos insensíveis. De joelhos, uma mãe acusada de envolvimento com drogas se rende à voz de prisão da polícia, enquanto seus filhos, todos menores, esparramados pelo chão, com o rosto em terra e algemas em punho, descortinam essa face horrenda do mundo em que vivemos. O que é pior: a polícia prendeu as vítimas. Sim, a polícia algemou corpos moribundos e os exibiu como troféu para uma sociedade que está cega. Ora, aquela mulher e suas pobres crianças precisavam de misericórdia e lhe deram algemas, precisavam de complacência e lhe deram o aço das cadeias. Dói saber que muitos há que nem se dão conta dessa barbárie. Ai! Ai! É duro recalcitrar contra este aguilhão!

A FACE DO MENOR

Os dois principais jornais escritos que circulam em Marabá, acabam de deixar uma tremenda interrogação no ar: O preso conhecido pela alcunha de Marlone é maior ou é menor de idade? Se há dúvida com relação à sua verdadeira idade, está certo ou não estampar seu rosto nas páginas dos jornais? Esta discussão ficou mais sonora esta quinta-feira (28/08) porque em um dos jornais a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) declara que o preso é menor, enquanto no outro a reportagem dá conta de que a dúvida será dirimida através de exame de arcada dentária, feito por peritos do Centro de Perícias Científicas da capital.

ÉTICA

O assunto suscita outros questionamentos: como fica o caso da divulgação do nome e rosto do acusado, se ficar comprovado que ele realmente é menor de idade? Haverá punição para os veículos que estamparam sua foto? De acordo com a SDDH, Marlone atinge maioridade dentro de 60 e poucos dias. Afinal, que diferença realmente faz, revelar o rosto e o nome do indivíduo agora ou daqui a dois meses. Responda-me quem puder.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

VATICÍNIO

Acertamos. Como havíamos anunciado aqui neste blog duas semanas atrás (07/08), foi deferido, pelo menos por enquanto, o pedido de registro de candidatura de Nagib Mutran (PMDB), candidato a vereador em Marabá. O registro havia sido indeferido pela juíza Maria Aldecy Pissolati. Os advogados do partido recorreram em segunda instância e o desembargador Joao Jose da Silva Maroja julgou improcedente a impugnação, declarando o impugnado apto a concorrer ao pleito deste ano, conforme sentença publicada neste sábado (23).

GUERRA DA PATERNIDADE

Antes de vir a Marabá, a governadora Ana Júlia Carepa não descuidou de preparar o terreno para sua viagem a estas bandas. A primeira medida foi mandar botar placa nas escassas obras que estão sendo tocadas na cidade com recurso do governo do Estado. Acontece que quando chegaram ao local das referidas, os enviados do Palácio Lauro Sodré deram de cara com placas já bem fincadas, estas do governo municipal. Sem a menor cerimônia, a governadora mandou colocar abaixo as placas da prefeitura e mandou fincar no seu lugar outras com as cores e emblemas do Governo do Estado. Tudo sem pedir licença e, claro, com inevitáveis custos aos cofres públicos. Durma-se com um barulho desses!

O TOSTÃO CONTRA O MILHÃO

Alguns aspectos desta eleição tem a propriedade de nos compelir à reflexão. É o caso da propaganda gratuita obrigatória veiculada no rádio e na televisão. Há que se questionar se realmente é justo esse critério da distribuição do tempo entre as coligações e partidos. É que quem já conta com todo aparato e poder econômico para montar frotas gigantescas de carros de som, pagar a veiculação de mídias e mais mídias em veículos de toda espécie, ainda assim dispõe de uma fatia maior de tempo no horário gratuito do que aqueles que sequer podem pagar uma velha boca-de-ferro para disseminar suas propostas. O que é pior, é que os que dispõem de espaço maior, ficam enchendo lingüiça, como se diz no meio jornalístico, para ocupar o tempo disponível, enquanto os pequenos têm que rebolar para dizer o mínimo necessário em minguado punhado de segundos. Que o diga Tibirica, candidato do PSOL.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

PELA CULATRA

Ninguém se engane. A vinda da governadora Ana Júlia Carepa a Marabá, quem quiser que invente pretextos, mas todo mundo sabe de cor e salteado que o objetivo principal era mesmo dar um empurrãozinho na candidatura de sua correligionária, candidata Bernadete. Mas o tiro pode ter saído pela culatra. É que com o rigor da Lei Eleitoral e a implacabilidade dos juizes das zonas daqui, ninguém ousou arriscar qualquer menção ao nome da prefeiturável petista. Da parte da candidata, o receio não foi menor. Ela ligou o desconfiômetro e, segundo alguns, apareceu meio que camaleônica no meio da companheirada, que não entendeu por que ela não foi chamada para compor a mesa, sequer foi citada pela mestre de cerimônia. Na cabeça de alguns, não estaria mesmo boa a relação de Bernadete e Ana Júlia, confirmando o que denunciou Hiroshi Bogéa em seu blog, dia desses.

REMENDANDO

Para eliminar o boato a cerca de suas relações com a governadora, Bernadete apareceu no programa eleitoral gratuito desta sexta-feira (22) se referindo a Ana Júlia como “minha amiga”. Falando nisso, os críticos de plantão têm tecido comentários negativos ao programa de Bernadete por exagerar nas referências a Lula e Ana Júlia, enquanto dela, Bernadete, não se vê nada de suas ações como deputada. É bom lembrar que a produção do programa na TV da candidata petista foi bem melhor na campanha de 2000, quando foi coordenada pelo competente plubicitário Cláudio Feitosa Felipeto.

GAFE

Na solenidade ocorrida ontem (21/08) com a governadora Ana Júlia Carepa, em frente ao Ginásio Poliesportivo da Folha 16, a mestre de cerimônia chamou o vereador Leodato de Leonardo Marques. Parece que ninguém da comitiva governamental notou a gafe, porque não houve correção do equívoco, ficando o dito pelo não dito. De outra parte, ficou difícil para os fotógrafos que estavam na platéia registrar o momento da assinatura dos convênios. Ora era faixa da Fetagri, erguida sem a menor cerimônia na cara dos que estavam atrás, ora era o cinegrafista oficial e seu assistente que, dando as costas para todo mundo, cobriam qualquer visão.

MAURINO E DEUS

O candidato da coligação “A Marabá que Queremos”, Maurino Magalhães (PR) mudou radicalmente a linha do seu discurso no programa eleitoral que foi ao ar na TV nesta sexta-feira (22/09). No primeiro, veiculado na terça-feira (20) ele deitou e rolou nas referências a Deus e à Bíblia, deixando claro que é um candidato, como diria o apóstolo Paulo, acentuadamente religioso. No programa de hoje, além de não fazer nenhuma referência a Deus, ele citou religião apenas para dizer que será o candidato do povo, independentemente de religião, raça ou cor.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ABAIXO O NEPOTISMO

Muita gente que vinha mamando nas tetas do poder público vai ficar chupando o dedo nos próximos dias. É que ontem (21/08), o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou a elaboração de súmula que proíbe o nepotismo nas esferas dos três poderes. Pela norma, será considerado nepotismo a contratação de irmão, marido, mulher, tio, avô, pai, mãe e filhos. Outros parentes, em grau mais distante, também deverão ser incluídos quando o texto final da súmula ficar pronto. A decisão do STF deverá entrar em vigor dentro de 10 dias e quando isso ocorrer quem tiver empregando parentes vai ter que demitir, exceto se for ministro, secretário municipal ou estadual, os quais a súmula deixa de fora do considerado nepotismo.

JEITINHO BRASILEIRO

Até as pedras do Pirucaba, aqui em Marabá, já sabem que a decisão do STF vai ser apenas mais uma das muitas normas que ficam relegadas ao descumprimento. Como se sabe, o brasileiro sempre dá aquele jeitinho. E no caso em tela, já se fala em contratação cruzada, em que políticos combinam entre si, para um contratar o parente do outro.

BISPO NA VALA

O bispo de Marabá, dom José Foralosso, foi visto na manhã desta quinta-feira (22/08) com os nervos à flor da pele no bairro Novo Horizonte. O carro dele caiu numa vala na rua Aziz Mutran, onde a administração municipal executa obras de drenagem. O veículo caiu no buraco quando o líder religioso saía de marcha ré e descuidou-se. Era por volta de 9h00, quando o carro foi rebocado com o pára-choque dianteiro danificado.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

SONRISAL

Sonrisal é um velho e conhecido antiácido efervecente em forma de comprimido gigante. Mas também é o nome que alguns espirituosos da cidade de Redenção usam para qualificar a pavimentação asfáltica feita nestas vésperas de eleição pelo prefeito Jorge Paulo, o JPC. É que, a exemplo do remédio citado, o asfalto que vêm recebendo algumas ruas naquele município dissolve com água.

CASCA DE OVO


Se em Redenção sobra Sonrisal, aqui em Marabá algumas ruas padecem com a falta de cálcio. Isso mesmo: aquele nutriente que serve para fortalecer os ossos, cuja carência causa osteoporose. Tanto é verdade que certas bases de concreto estão quebrando com o peso dos carros, como esta que este poster registrou esta segunda-feira (18/08) na avenida Manaus – bairro Belo Horizonte.

BARAFUNDA

A assessoria da deputada Bernadete ten Caten (PT), que disputa a prefeitura de Marabá nestas eleições, continua pisando no tomate. Comentando a implantação da "Aço Laminados do Pará", o site da candidata reduziu os 23,5 bilhões de dólares do investimento a ínfimos 4,5 milhões de reais. Este valor não chega a cobrir nem 10% do montante que irá gastar a Vale, apenas na primeira fase do projeto, algo em torno de 3 bilhões de dólares. É... Ou a assessoria é muito displicente ou está mais por fora que umbigo de vedete.

BALAIO DE GATOS

O leitor não muito desatento dos jornais escritos que circulam em Marabá não terá grande dificuldade para perceber o desencontro de informações com relação ao valor do investimento que vai receber o município com a implantação pela Vale da siderúrgica “Aço Laminados do Pará”. A confusão se refere à moeda e, não raro, ao montante mesmo. Para que fique claro, o valor exato do investimento é 23,5 bilhões de dólares, e não de reais, como noticiou um periódico local.

PAPAGAIO COME, PERIQUITO LEVA A FAMA

Motoristas do Pará podem estar recebendo multa por infração que nunca cometeram. O alerta é do diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Ivanildo Santos, em entrevista concedida esta terça-feira (19/08) à TV Liberal. Segundo ele, veículos clonados são multados pelos órgãos de fiscalização do trânsito, mas quem paga o pato são os donos do carro original. A orientação dada nesses casos é aquele velho recurso da contestação, que nunca funciona, pois quase sempre é julgada em desfavor do reclamante. Quem receber multa por violação que não cometeu tem que provar que não estava no local citado no auto de infração no momento em que ela aconteceu. Coisa que, pelo visto, quase ninguém conseguirá fazer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

RAINHA DA SUCATA

Não. O título desta nota não se refere a uma novela da Globo que foi ao ar anos atrás. A rainha aqui é outra. Estamos falando do campus da Universidade Federal do Pará, em Marabá. É lastimável a situação de sucateamento de alguns setores naquele núcleo, literalmente convertidos em frangalhos. Na Secretaria Acadêmica, a porta de acesso àquela repartição está quase caindo sobre os que se atrevem passar por ela. Das três dobradiças que nela foram colocadas, duas já cairam. Para abri-la, o interessado deve segurar firme com as duas mãos e suspender aquela peça de madeira, num exercício que além de exigir esforço físico expõe ao ridículo quem quer entrar e os que já estão do lado de dentro.

TAPERA

Ali mesmo na Secretaria Acadêmica, do outro lado do balcão, uma das peças do assoalho está deteriorada e deixa a vista um enorme buraco, que ultimamente tem servido para ligar o mundo das baratas, que vivem lá embaixo, ao dos humanos que passeiam na parte de cima. Ontem mesmo, um desses medonhos insetos fora visto à margem do fosso, em decúbito ventral, isto é, de pernas para cima. Ao que parece, a bicha estava morta. Mas, seja como for, estava lá, retocando o ambiente, dando à sala aquele ar de tapera.

MAÇAROCA

A alguns metros da barata morta na Secretaria Acadêmica, os quiosques das copiadoras também estão literalmente caindo aos pedaços. Mais parecem aqueles botecos de vila de garimpo. Na parte de trás deles, uma maçaroca de mato e lixo ornamentam o espaço e assusta quem passa pela VP-8 e é informado de que ali, ali mesmo, funciona a academia que forma intelectuais em Marabá. É... E dizer que em casa de doido é que mala é um saco e cadeado é um nó.

DEUS EXISTE


Qual artista seria capaz de pintar um quadro tão fenomenal!? A natureza é a incontestável revelação de que existe um Criador. Só mesmo alguém sem o menor escrúpulo poderia duvidar da existência desse Ser Superior. A foto acima, cedida do arquivo do Jornal Opinião, é o exuberante pôr-do-sol, visto da orla do Rio Tocantins, em Marabá. A propósito, postamos abaixo o poema Angústia, do poeta Ademir Braz, publicado em seu livro de poesias Rebanho de Pedras.
Angústia


Ao entardecer, o Tocantins em chama
- à plena luz do sol que se afoga –
tem no abandono de sua água,
a mesma plenitude que me dana.

Sou luz e dor à tona d’água.

Desfeito no encanto dessa hora
em que soluça a tarde e minha mágua
é feita de presença e de agora,
assim me ponho inteiro sobre o mundo.

Suave como a noite é meu espanto.
Maior do que a tarde e mais profundo,
é esse amor tardio com que me encanto.

Amo. E sou rio tranqüilo e céu revolto.

À margem desse rio, posto em sossego,
sou irmão da lua e do morcego
e desse pirilampo errando solto.

Desse amor me vem a luz que cega,
a noite que flutua, o sol já morto,
e esta solidão que o rio carrega
sem jamais deter-se em qualquer porto.

À margem desse rio a céu aberto,
entre a noite virgem e o sol aflito,
meu coração é pássaro inquieto
e flor rompendo a noite como um grito.

(Ademir Brás, Rebanho de Pedras).

EXEGESE

O poema postado acima foi objeto de análise deste poster, em trabalho apresentado na Universidade Federal do Pará, parte do qual publicamos a seguir:
INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por fundamento atender proposta do professor José Guilherme Fernandes, de Literatura Brasileira II, apresentada com a finalidade de aprimorar o exercício da análise poética através de observação contextualizada com os aspectos sociais, culturais e históricos, do tempo e espaço em que a obra foi produzida, identificando características temáticas e formais do texto.

Será objeto de análise o poema “Angústia”, do poeta marabaense Ademir Braz, publicado em seu livro de poesias intitulado Rebanho de Pedras.

A escolha de Ademir Braz não foi sem propósito. Seu nome é considerado, na atualidade, a principal referência da poesia regional. Ele pertence à safra mais atual da poesia paraense e se destaca pela facilidade com que produz poemas ao mesmo tempo simples e profundos, com extrema riqueza de conteúdo. Sua obra tem uma afinidade singular com as raízes desta terra. Os costumes, as lendas, os causos da cultura popular, os lugares, o cotidiano do povo são o tema principal de seus poemas. Pela magnitude de sua obra, seu nome pode ser incluído, com justiça, no rol dos grandes poetas que esta terra já produziu.

EXEGESE

Dizer que Ademir Brás é um autêntico poeta do tipo lírico-amoroso pode parecer exagerada pretensão. Todavia, dizer que não é seria dar provas de conhecer sua obra apenas na superficialidade. Na verdade, Ademir é esse poeta: a rigor está quase sempre abordando de forma crítica questões relevantes da atualidade, sem contudo deixar de ser sentimental. Pode se dizer que o sentimentalismo romântico é o fio de ouro que permeia toda sua poesia, às vezes sutil, quase imperceptível, às vezes de forma mais robustecida.

Quando escreve, Ademir quase sempre deixa transparecer a paixão que tem por esta terra. Seus poemas tratam das coisas simples da vida com uma profundidade rara. Aludem com freqüência a fatos da história do nosso povo. Falam de situações do cotidiano. Descrevem lugares e pessoas – de ontem e de hoje. Gente simples como a lavadeira, o garimpeiro, o pescador, e também figuras históricas.

No poema em análise, o poeta deixa aflorar sua sensibilidade bem ao estilo da poesia político-social do poeta romântico Victor Hugo. O objeto de referência é o Rio Tocantins, e o poema se afigura num manifesto de protesto contra a destruição desse importante monumento da natureza. O descontentamento se traduz no título da obra e em expressões como “plenitude que me dana”, “desfeito no encanto dessa hora”, “soluça a tarde e minha mágua”, sou [...] céu revolto”.

Pode se notar traços do Romantismo na referência apaixonada aos elementos da natureza: o pôr-do-sol, o rio, a lua, o morcego, o pirilampo. E na utilização, sem comedimento, de expressões metafóricas. No entanto, quanto à forma, o poeta foge do verso livre, comum entre os românticos, e se rende à preocupação parnasiana de estrofes bem estruturadas, com rima perfeita e ritmo cadenciado.

Se tivéssemos que ambientar a obra do poeta marabaense na escola romântica, certamente ela se identificaria mais com a produção de autores da terceira geração, com caracterísiticas já pendendo para o Realismo. Sua poesia se acomoda melhor no mundo da realidade concreta do que naquele das idealizações, dos sonhos, próprio dos poetas românticos. Nota-se uma ligeira sobreposição da razão sobre o coração.

Em Angútia, encontramos um poeta icomodado com a degradação do Rio Tocantins. Fazendo um jogo com a ambigüidade, ele consegue suscitar o apelo ecológico ao mesmo tempo em que nos remete às cenas nostálgicas de um pôr-do-sol à beira do rio. O encanto se mistura com a indignação.

Quando diz que o rio sofreu o “abandono de sua água”, parece querer remeter o leitor a idéia da dissolução de um par romântico. O fim de uma história de amor entre o rio e água. A Julieta que abandonou Romeu. Note que água aparece no singular, exatamente com o fim de dar esta conotação.

Não obstante, há na mesma expressão um forte apelo à consciência ecológica. O poeta quer mostrar que o rio está secando. O abandono da água significa o rio cada vez mais seco por conta do assoreamento constante, provocado pelo desmatamento das florestas ribeirinhas. Tal situação, revela o abandono, não da água apenas, mas sobretudo daqueles que tem o dever de preservá-lo.

O pôr-do-sol por si só é um momento de rara beleza. Em Marabá, da Orla em frente à Praia do Tucunaré se tem o ângulo perfeito para uma visão panorâmica encantadora, em que o sol incadescente parece mergulhar nas águas tácitas do rio. É este o cenário que serve de pano de fundo para a construção do poema.

A cena é encantadora. Mas remete o poeta à reflexão e ele se vê desperto para uma realidade que desfaz todo o “encanto dessa hora”.

Por um instante, o poeta parece estar revoltado consigo mesmo, por ser alguém que só se dá conta da situação quando tem a presença do rio à sua frente: “minha mágoa é de presença e de agora”. O presente é o resultado atroz da indiferença do passado. Sim, o presente pode ser tarde demais para certas atitudes que não foram tomadas no passado. Quando espécies de animais já foram extintas, quando os efeitos são irreversíveis, o presente pode ser demasiado tarde.

“Suave como a noite é meu espanto” – com este verso, mais uma vez o poeta procura transportar o leitor ao cenário melancólico da noite que chega serena, suave. O verso parece querer mostrar que a consciência ecológica (meu espanto) chegou muito lentamente (suave). Demorou a ser desperta.

Nesse contexto, o poeta mais uma vez lança mão da ambigüidade quando fala do “amor tardio”. Ao mesmo tempo em que pode estar se referindo ao amor à tarde, ao pôr-do-sol, a expressão pode ser um hálito de protesto à consciência que é despertada tarde demais.

“Amo. E sou rio tranqüilo e céu revolto”. Este trecho descreve a capacidade que tem o amor de acalmar e, ao mesmo tempo, perturbar. O amor que acalma é aquele que brota da nostalgia que o rio transmite. As águas descendo silentes transmitem paz. O amor que perturba é o que se tem pelo rio que está morrendo pelas ações irresponsáveis do homem. Isso é perturbador!

“Sou rio tranqüilo e céu revolto”. Aqui nota-se um movimento antitético nas palavras. A voz poética oscila do sereno (tranqüilo) ao tempestivo (revolto). O confronto de palavras que encerram idéia de oposição é recorrente no poema, como se vê nestes fragmentos: “Tocantins em chama”, “sol que se afoga”, “suave [...] espanto”, “luz que cega”.

O poema se encerra sem um fechamento. Não há um desfecho final. Mas ele faz um movimento intencional de evocação da solidão. A solidão que sempre se afigurou como o elemento pungente de quase toda a poesia romântica. Em Angústia, é bom que se diga, a solidão não está apenas no final do poema. Embora o termo apareça, solitário, uma única vez em toda a obra, uma análise mais acurada vai mostrar que esta é a temática que flui de todos os versos.

Não é preciso muito esforço para perceber que a solidão ocupa todos os espaços, nas entrelinhas e ao redor. Mesmo quando o autor faz referência a elementos da natureza ela está lá. É a solidão do rio, da lua, do morcego e do pirilampo errante pela noite. Nesse particular, até o poeta está sozinho na sua percepção. Mas isso não deve detê-lo. A vida deve seguir o seu curso do modo que o faz o rio, o qual jamais se detém “em qualquer porto”.

A obra termina com a palavra “grito”. É o grito que não quer calar. O grito de socorro. O grito dos ecologistas, dos amantes da natureza, daqueles com consciência. O grito que denuncia os crimes contra a natureza tão impunemente devastada por aqueles que são tão indiferentes a ela como a água que, embora cada vez mais escassa, ainda corre pelo Tocantins.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

VATICÍNIO

Aqui vai mais uma previsão que ousamos fazer sem medo de errar: Argemiro Gomes da Silva Filho será o próximo prefeito da cidade de Rio Maria. O jovem de 21 anos deverá ocupar a cadeira que estava sendo disputada por seu pai, o ex-prefeito Argemiro Gomes (PMDB), assassinado no último sábado, dia 9. É que a comoção que tomou conta do povo por conta do assassinato deverá fazer com que o candidato morto se afigure como mártir na mente dos eleitores, que certamente não hesitarão em transformar o sufrágio em uma espécie de protesto contra a violência naquele município.

NOSSO POETA MAIOR

Ademir Braz é mesmo uma grande figura. Acabo de receber ligação dele agradecendo por termos utilizado um de seus poemas em trabalho de análise literária na Universidade Federal do Pará. O trabalho nos rendeu conceito EXCELENTE na disciplina Literatura Brasileira II e Ademir tratou de publicá-lo no seu blog na internet. O poeta nem precisava agradecer. A literatura regional é que agradece a existência de cabeça tão privilegiada.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

CANDIDATO A PREFEITO É ASSASSINADO

Dois elementos ainda não identificados pela polícia mataram a tiros o ex-prefeito de Rio Maria Argemiro Gomes. O crime aconteceu na manhã do último sábado (9) lá mesmo em Rio Maria, onde Argemiro, que era candidato a prefeito pelo PMDB, cumpria sua agenda de campanha. Argemiro foi prefeito no período 2000/2004 e, segundo consta, era o candidato mais bem cotado para ganhar as eleições deste ano.

BOTAR AS BARBAS DE MOLHO

Ainda não se sabe se o assassinato de Argemiro Gomes foi motivado por razões políticas. Mas tudo leva a crer que sim, pois ele já tinha inclusive sofrido outros atentados. O crime serve para mostrar que nesta região de tanta violência ser político pode significar viver com o pé na cova. Razão por que ninguém deve facilitar. Coletes à prova de bala e um pouco de cautela nunca fizeram mal a ninguém.

SUBSTITUTO DE ARGEMIRO

Por enquanto não há informação sobre como o PMDB vai proceder em Rio Maria diante da morte de seu candidato a prefeito. De acordo com a legislação eleitoral "é facultado ao partido político ou à coligação substituir candidato que for considerado inelegível, renunciar ou falecer". Neste caso, a legenda terá 10 dias, a contar do óbito, para requerer o registro do substituto.

A COISA TÁ PRETA

A prova de que ninguém deve dar mole em época de eleição nestas bandas do país é que, além dos crimes a bala, por aqui, se bobear, os bandidos fazem jogo sujo e até invadem produtoras de vídeo pra surrupiar material de campanha e prejudicar adversários. No último sábado, dia 9, aconteceu com a Vídeo V, empresa do jornalista Hiroshi Bogéa. Segundo ele, dois elementos armados invadiram a sala de redação da produtora, renderam os funcionários e levaram equipamentos de vídeo, celulares, dinheiro, além de uma motocicleta. É claro que não se sabe se o crime está associado a alguma peripécia política. Mas não custa nada desconfiar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

TIRO NO PÉ

Os assessores da deputada Bernadete ten Caten (PT), que tenta se eleger prefeita de Marabá nesta eleição, estão jogando contra o patrimônio. No site da candidata, postaram nota enfatizando que dos R$ 40 milhões disponibilizados pelo Governo Federal para a construção de casas populares em todo o Brasil, Marabá não recebeu nenhum centavo, enquanto a cidade vizinha de Nova Ipixuna foi contemplada com 400 casas. A informação pega mal para ten Caten, considerando que ela é deputada, e mesmo sendo do PT, partido do presidente Lula, não conseguiu canalizar nada do recurso para a sua própria cidade.

SAIU PELA CULATRA

Na verdade, a intenção da assessoria de Bernadete é mostrar que o recurso não veio para Marabá por incompetência do prefeito Tião Miranda. Mas o tiro está saindo pela culatra, pois tem gente fazendo outra leitura: a de que Lula liberou o recurso para Nova Ipixuna que era administrada pelo PT e o vetou para Marabá, por mero proselitismo; e a de que Bernadete foi incompetente tanto quanto Tião, por não trazer o recurso para Marabá, com o agravante de que ten Caten é do mesmo partido do presidente. É... atiraram no dragão e acertaram no São Jorge.

FOLHA DO AUTOMÓVEL

Amanhã, vai estar nas bancas mais uma edição da Folha do Automóvel, semanário voltado para o mercado de veículos, de propriedade da jornalista Cileide Tavares, de Marabá.
Na edição de número 83, que sai no sábado, dia 16, o periódico abre espaço para os candidatos a prefeito de Marabá publicarem suas propostas voltadas para o trânsito e o mercado de automóveis. É aguardar para conferir.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

VATICÍNIO

Tem coisa que dá pra prever mesmo não tendo dom de profeta ou bola de cristal. É o caso de certos revezes na política, tão previsíveis quanto o vai-e-vem da maré. Aqui vai uma previsão que, com excessão dos mais pessimistas, todos já devem estar fazendo em Marabá: A JUSTIÇA VAI HOMOLOGAR A CANDIDATURA DE NAGIB MUTRAN. O candidato do PMDB pleiteia uma vaga na Câmara de Vereadores e teve seu pedido de registro indeferido pela juiza eleitoral Maria Aldecy de Souza Pissolati, conforme sentença publicada na tarde da última terça-feira (5). Os advogados do candidato já entraram com recurso e cremos que a homologação será apenas uma questão de tempo. É aguardar pra conferir.

PRIMEIRA NOTA

Vamos abrir a série de notas informativas que pretendemos manter aqui no blog com informações do que está acontecendo neste lado do Planeta. Em tempo de campanha eleitoral, com candidatos se acotovelando pelas ruas, dando tapinhas nas costas do povo e prometendo até fazer chover, nada mais pertinente do que falar de política.

A HORA DO PARTO

Alô, internautas!

Está nascendo mais um blog na net. Sejam bem-vindos à nossa página. Que este seja um espaço para relaxar, entreter-se e manter-se informado. A partir de hoje, este será nosso ponto de encontro, nossa sala-de-estar para receber velhos (e novos) amigos.

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